Observação: Podem ter pequenos spoilers espalhados.Oito anos se passam após os acontecimentos de O Cavaleiro das Trevas. Gotham está em paz até que o vilão Bane chega e esta paz se esvai. Preciso dizer algumas coisas sobre o trabalho de Nolan em Batman de antemão. Em 2005 eu realmente não botava fé em Batman Begins, muito se deve ao fato de este filme vir após os desastrosos filmes de Joel Schumacher e também por Nolan ser um cineasta novato e sem um nome forte no mercado cinematográfico. Pois bem, eu não fui ao cinema assistir ao filme e me arrependi amargamente pelo dia em que eu não quis ir no cinema ver o filme, o por que? Bem... ali nos era apresentado o início de uma obra-prima que se tornaria uma trilogia que podemos dizer sem medo, é perfeita.
Em O Cavaleiro das Trevas, Nolan conseguiu superar seu feito em Batman Begins, nos mostrando uma obra perfeita e que nos atinge psicologicamente e emocionalmente, com cenas intensas e com uma atuação brilhante de Heath Ledger como Coringa. Em 2008 O Cavaleiro das Trevas mostrou a todos um novo modo de se fazer filmes baseados em HQ's, que vem sendo copiado desde então e que continuará a se repetir durante muuuuito tempo.
Preciso dizer que os dias que se antecederam antes da estréia de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge para mim foram uma grande tortura. Meu medo era estampado na cara de que O Cavaleiro das Trevas Ressurge se tornasse alvo da maldição dos terceiros filmes de uma trilogia, onde o último filme é sempre o pior. Talvez isso tenha sido algo bom, pois minha tensão logo foi sumindo perante ao que eu assistia na grande tela. A trilogia Batman terminara com chave de ouro.
Logo no começo somos surpreendidos com o incrível prólogo que nos é mostrado. A apresentação do vilão Bane, em uma cena que merece aplausos de pé pela sua incrível carga de ação e perfeccionismo. Nesta cena tudo poderia ter sido perfeito, porém a voz do Bane era um grande problema. Se antes as pessoas reclamavam de não terem entendido o que este falava, agora a clareza com que a voz fora modificada ficou clara para nossos ouvidos. Nada de muito prejudicial, é apenas um pouco incômodo, mas não nos deixa em total desconforto.
As atuações são o ponto alto do filme, pois se em O Cavaleiro das Trevas Ressurge tínhamos Heath Ledger dando um show, neste filme temos Christian Bale, Michael Cane e Tom Hardy. Comecemos com Michael Cane, nosso querido (e agora eterno) Alfred. Nas três cenas mais emocionantes do filme, duas são com Michael Cane, que nos dá uma verdadeira aula de atuação e nos faz chorar. É tamanho o nível de atuação que eu ficaria surpreso se este não recebesse uma indicação ao Oscar. É clara a evolução de Michael Cane como Alfred e como ele foi encarnando o personagem ao longo dos três filmes, pois se em Batman Begins ele era um ponto cômico e em O Cavaleiro das Trevas ele era aquele que colocava os pés do Bruce no chão, neste filme ele é o ponto emocional e racional. Ao lado de Michael Cane temos Christian Bale, que mais do que nunca mostra o porque de ele ser a pessoa perfeita para encarar o Homem-Morcego. Neste filme ele tem a capacidade de nos mostrar algo a mais do Bruce Wayne sem o uniforme do Batman, quando este é derrotado por Bane e é colocado em uma prisão, atuando excepcionalmente bem, mostrando o sofrimento de Bruce ao ter suas costelas quebradas.
Deixo aqui um parágrafo especial para elogios à atuação de Tom Hardy como Bane. Ele merece elogios por dois pontos altos em sua atuação. O modo como ele se expressa somente pelo olhar, é capaz de nos fazer sentir medo do vilão do início ao fim. É tão convincente a maldade e a frieza no olhar dele que durante todo o filme não perguntamos em nem um momento onde está o Coringa. Aqui, Bane é um vilão mais calculista e frio e Tom Hardy fez um ótimo trabalho com este vilão, assim como fez Heath Ledger com o Coringa. Outro ponto alto é a voz, que apesar de ter sido modificada, foi muito bem trabalhada e esta voz é uma das coisas que faz os cidadãos de Gotham e o espectador ter medo dele. Tal composição vocal é fruto de um grande estudo de Tom Hardy, que oscila entre a frieza, o calculismo e o desprezo.
Quem também faz um ótimo trabalho é Anne Hathaway, que faz uma mulher-gato (que em nem um momento do filme é chamada assim) totalmente diferente da que foi eternizada por Michelle Pfeiffer. O que vale deixar claro é que Anne jamais neste filme tenta ser melhor, jamais copiando as facetas que a Selina Kyle de Michelle Pfeiffer. Joseph Gordon-Levitt me surpreendeu com sua atuação, madura e no ponto, fazendo um personagem complicado e muito importante dentro da trama. A única que fiquei com o pé atrás com sua atuação foi Marion Cotillard, que faz Miranda Tate, que durante todo o filme pensamos que ela é uma pessoa, mas no final do filme, nos 45 minutos do segundo tempo, ela é outra.
O roteiro peca em alguns momentos e nos faz pensar como pôde ter coisas do tipo em se tratando de Christofer Nolan. Quero destacar aqui algo que foi meio broxante ao assistir o filme no cinema. Foi de doer os ouvidos quando um certo cidadão diz à Bane "você é a maldade em pessoa". É inacreditável, em se tratando de Christofer Nolan que uma frase desta tenha sido falada, pois em meio a tantas frases de impacto criadas ao longo deste filme e nos anteriores, vir com esta frase foi muito infeliz da parte de Chris Nolan. Outro furo de roteiro foi a volta de Batman que sabe-se lá como, entrou na cidade sem nem ter equipamentos, pois estava preso e as pontes que davam acesso à Gotham foram destruídas e só havia uma ponte que não tinha sido destruída, porém haviam policiais nela com um detonador para não deixar ninguém fugir. É um pouco difícil engolir...
Neste filme Hans Zimmer tem um papel fundamental em toda a trama. Sua trilha sonora impactante e muito bem construída é parte indispensável durante as quase três horas de filme, o filme não sobreviveria sem esta trilha magnífica criada. A parte técnica num geral é o que esperávamos que seria, incrivelmente perfeita, mas vale destacar o trabalho da mixagem de som, efeitos visuais e fotografia, que se mostram eficazes a todo instante.
Por último eu dou meus parabéns à Christofer Nolan por nos entregar uma obra-prima de trilogia e torço para que o próximo a assumir a direção dos filmes de Batman, perceba que a ousadia foi algo fundamental durante a trajetória de Nolan nos filmes do Homem-Morcego.







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